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Anatomia Cardíaca

Publicado em 29/07/2014
Autor Lucas Nicolau de Oliveira
Revisor Elvys dos Santos Pereira

Antes de uma visão mais detalhada sobre a anatomia cardíaca, é preciso ter em mente algumas generalidades. O coração é ligeiramente maior que um punho cerrado e possui uma forma piramidal. Ele é constituído de duas bombas distintas. O coração direito, que bombeia o sangue venoso para o pulmão (a fim de ser oxigenado), e o coração esquerdo que bombeia o sangue oxigenado para o sistema (a fim de ser utilizado como fonte de energia pelas células). Cada uma dessas bombas (direita e esquerda) são constituídas de um átrio e um ventrículo, portanto temos no coração dois átrios e dois ventrículos. Entre as junções veia-átrio, átrio-ventrículo e ventrículo-artéria teremos válvas diferentes que trabalham regulando a diferença de pressão de uma cavidade para outra, o que promove a hemodinâmica. O fechamento dessas valvas geram as bulhas cardíacas. Um período completo de relaxamento ventricular (diástole) seguido da contração (sístole) completa um ciclo cardíaco e pode ser acompanhado pelo som das bulhas.

Localização

O coração está localizado no tórax. A cavidade torácica por sua vez pode ser dividida em três partes. Duas cavidades pleurais (onde estão os pulmões) e um mediastino (que está entre as cavidades pleurais). O mediastino pode ainda ser superior (região acima do pericárdio, presente da vértebra t1 à t4) e inferior (região logo abaixo do início do pericárdio, presente da vértebra t5 até o músculo diafragma). O mediastino inferior ainda pode ser subdividido em três partes. Anterior (que contém o timo), médio (que contém o coração) e posterior (que contém o esôfago e aorta torácica). Com isso, podemos então definir que o coração anatomicamente se encontra no mediastino médio da cavidade torácica, voltado de trás para diante, para a esquerda e para baixo. Como correlações anatômicas temos, superior ao músculo diafragma, medialmente aos pulmões, posterior ao osso esterno, anterior ao esôfago e inferior à veia cava superior.

Pericárdio

Peri[grego, "ao redor de"] + cardio[grego, "coração"]. O pericárdio é um tecido em forma de saco que envolve todo o coração e as raízes dos seus vasos (artéria aorta, veia cava superior, veia cava inferior, tronco pulmonar e veias pulmonares). O pericárdio é considerado um tecido fribrosseroso por possuir duas porções. O pericárdio fibroso(externo), que possui apenas uma camada, e o seroso(interno) que possui duas. As duas camadas do pericárdio seroso são separadas pela cavidade pericárdica, na qual se encontra um líquido lubrificante que faz parte do sistema hidrostático cardíaco que diminui o atrito do coração com os tecidos adjacentes. Segue algumas diferenças entre os dois tipos de pericárdio:

Pericárdio Fibroso
É uma camada densa, rica em fibras elásticas e colágenos entrelaçados. Esta camada é considerada inextensível e de maior espessura. Está presa no centro tendíneo do diafragma pelo ligamento pericardiofrênico. Posteriormente, está fixado às estruturas do mediastino posterior através de um tecido conjuntivo frouxo. Suas fácies laterais se aderem à pleura mediastinal (exceto quando entre eles estiverem o nervo frênico). Anteriormente, o pericárdio forma o limite posterior do mediastino anterior.
Pericárdio Seroso
É uma camada mais flácida que o pericárdio fibroso que se divide em duas lâminas denominadas visceral e parietal. A lâmina parietal do pericárdio seroso, recobre toda a face interna do pericárdio fibroso. A lâmina visceral do pericárdio seroso está em íntimo contato com o coração e também recebe o nome de epicárdio (camada mais externa do coração). Entre as duas lâminas está a cavidade pericárdica com seu líquido. O pericárdio seroso também contém uma densa camada de tecido conjuntivo fibroso com algumas fibras elásticas, também possui células mesoteliais, responsáveis pela secreção do líquido da cavidade pericárdica. Em algumas regiões cardíacas podem também ser encontrados tecido adiposo perivascular.

Seccionando a parte anterior do pericárdio e retirando o coração, é possível visualizar dois seios, o seio transverso do pericárdio e o seio oblíquo do pericárdio. O seio transverso está localizado posteriormente a parte ascendente da artéria aorta e o tronco pulmonar. É possível passar um dedo por este seio, em cirurgias cardíacas pode-se adicionar grampos ou ligaduras pelo seio para interromper ou desviar a circulação desses grandes vasos.

Divisão Das Camadas

O coração pode ser dividido em três camadas. O endocárdio, miocárdio e epicárdio. O endocárdio é uma lâmina fina presente em toda a superfície interna do órgão e suas valvas podendo ser liso ou granular, granular quando contém trabéculas e liso quando não as tem. O miocárdio é a parte muscular da parede do órgão e está entre o endocárdio e o pericárdio. Ele é muito visível no septo interventricular, além de possuírem células especializadas nos ventrículos; essas células, dispostas em orientação perpendicular ao tecido de revestimento, aumentam a força de contração. O epicárdio, já foi mostrado antes já que ele faz parte na verdade do próprio pericárdio, sendo apresentado como a lâmina visceral do pericárdio seroso.

Esqueleto Fibroso do Coração

É um arcabouço de tecido fibroso que forma os anéis fibrosos (ânulo fibroso) das valvas e o trígono fibroso esquerdo e trígono fibroso direito, que estão entre a valva da aorta e valva mitra, e valva da aorta e valva tricúspide respectivamente.
O esqueleto fibroso tem sua importância, pois mantém os óstios das valvas sempre abertos, impedindo que ocorra uma distensão pelo aumento da pressão dentro do órgão. Fornece também uma inserção fixa para as válvulas das valvas.
Uma outra importante função está no potencial de ação, como o esqueleto fibroso não tem condutância elétrica, ele funciona como um isolante. Esse papel isolante impede que o impulso elétrico dos átrios cheguem até o ventrículo antes de passar pelo nódulo atrioventricular.

Caminho Sanguíneo e circulação

O coração está constantemente recebendo sangue venoso pela veia cava superior, a veia cava inferior, o seio coronário (sistema venoso intrínseco da coração) e as veias mínimas (pequenas veias cardíacas que saem no coração sem antes se comunicarem ao seio coronário) para o átrio direito. A seguir, o sangue é ejetado para o ventrículo direito com a abertura da valva atrioventricular direita (tricúspide). A parte aferente do ventrículo direito recebe o sangue e a parte eferente promove a ejeção do sangue. O sangue ejetado passa para o tronco pulmonar pela abertura da valva do tronco pulmonar ou valva pulmonar. Logo, o tronco pulmonar se bifurca em artéria pulmonar direita e esquerda que levam o sangue para os respectivos pulmões para ser oxigenado. Após a oxigenação as veias pulmonares, direita e esquerda, superior e inferior, trazem o sangue para o átrio esquerdo do coração. De lá, o sangue penetra no ventrículo esquerdo pela abertura da valva atriventricular esquerda (mitral). Do ventrículo esquerdo o sangue é ejetado para o interior da artéria aorta pela abertura da valva da aorta (aórtica). Da artéria aorta o sangue caminha para os diversos tecidos do corpo e após utilizado metabolicamente, retorna como sangue venoso pelo sistema venoso da veia cava superior, inferior ou seio coronário para o átrio direito. Essa circulação sanguínea é de tamanha importância que podemos dividi-la em duas. A grande e a pequena circulação. A grande circulação leva sangue rico em oxigênio até os tecidos (com exceção do tecido pulmonar) para serem convertidos em energia, deste modo, ela constitui o trajeto feito pelo sangue desde o ventrículo esquerdo, sua distribuição no organismo, até o seu retorno ao átrio direito pelo sistema venoso. A pequena circulação constitui o trajeto sanguíneo do ventrículo direito ao átrio esquerdo, passando pelo tronco pulmonar, pulmão e veias pulmonares. A grande circulação está relacionada ao suprimento sanguíneo nos tecidos, a pequena circulação com a oxigenação sanguínea.

Anatomia Externa


O coração externo é comumente dividido em ápice, base e mais três faces: esternocostal, diafragmática e pulmonar. A base está constituída dos átrios direito e esquerdo. As veias cavas superior e inferior e as veias pulmonares penetram no coração pela base. É também a porção posterior do coração em posição anatômica. O ápice é contralateral a base e é frequentemente arredondada, formada pela parte ínfero-lateral do ventrículo esquerdo e é onde ocorre o batimento apical (pulsação máxima do coração).
Face esternocostal(anterior)
A face esternocostal é formada principalmente pelo ventrículo direito. Nele também se encontram o cone arterial (ou infundíbulo) que se tornará no tronco pulmonar.
Face pulmonar(esquerda)
Formada principalmente pelo ventrículo esquerdo, ela causa a impressão cardíaca do pulmão esquerdo.
Face diafragmática(inferior)
É formada principalmente pelo ventrículo esquerdo e parcialmente pelo ventrículo direito e repousa, principalmente, sobre o centro tendíneo do diafragma.

Anatomia Interna dos átrios


Cada átrio, direito e esquerdo possui uma aurícula. Por dentro, as aurículas são revestidas por músculos pectíneos. As aurículas são estruturas com formação oca, em forma de cone e saída para o átrio, permitindo assim que os átrios se encham além da sua capacidade máxima pelo enchimento também das aurículas.

No átrio direito as paredes posteriores e septal são lisas (parte lisa do átrio), contrabalanceando com a parede anterior (parte rugosa do átrio) que é composto pelos músculos pectíneos a partir da crista terminal (uma prega muscular lisa externamente representada pelo sulco terminal que separa a parte lisa da parte rugosa do átrio). A válvula do seio coronário está situada à frente e à esquerda da válvula da veia cava inferior. As principais veias que chegam ao coração se abrem em uma região denominada seio das veias cavas. Vários pequenos orifícios chamados de forames das veias mínimas também podem ser encontrados, são as terminações de pequenos canais venosos do próprio coração. No septo interatrial é perceptível uma área ovóide denominada fossa oval, limitada anteriormente, posteriormente e superiormente pelo limbo da fossa oval. Durante o período fetal e em algumas doenças, a fossa oval se abre surgindo o forame oval e estabelecendo uma comunicação entre os átrios.

No átrio esquerdo, os músculos pectíneos estão principalmente nas aurículas, sendo a maior parte do átrio constituído de parede lisa. Os pares de veias pulmonares direitas e esquerdas, sem válvulas, entram pelo átrio esquerdo na parede lisa. A parede do átrio esquerdo é ligeiramente mais espessa que no átrio direito.

Anatomia Interna dos Ventrículos


A porção ventricular do coração possui quatro óstios. Um atrioventricular e outro aórtico na porção esquerda e um atrioventricular e outro pulmonar na porção direita. Todo o ventrículo com exceção da região do cone arterial (infundíbulo) é constituído de trabéculas cárneas (projeção de feixes musculares na parede interna do coração). As trabéculas podem ser de três tipos diferentes.

Cristas ou colunas
Formam um relevo na parede ventricular.
Pontes
São livres em sua porção média, porém, inseridos à parede do órgão por suas extremidades.
Pilares
Recebem um nome especial, são os Músculos Papilares, apresentam forma cônica com a base implantada na parede ventricular. A eles estão ligadas as cordas tendíneas que se inserem no ápice dos músculos e na parte ventricular das válvulas(cúspides).
Em ambos os ventrículos ainda estão presentes os forames das veias mínimas, porém, em menor quantidade que nos Átrios.
Entre o ventrículo direito e o ventrículo esquerdo, temos o septo interventricular composto de uma parte membranácea, e uma parte súpero-posterior contínua com o esqueleto fibroso. O miocárdio é mais evidente e espesso nesta área. No ventrículo direito possui a trabécula septomarginal que auxilia na condução do impulso nervoso por ter células de Purkinje.

Diferença entre os Ventrículos

Ventrículo direito
O ventrículo direito possui duas câmaras. Uma de enchimento (aferente) e outra de esvaziamento (eferente). A de enchimento é o ventrículo propriamente dito, que recebe sangue do óstio atrioventricular e possui trabéculas cárneas (parte rugosa). A de esvaziamento é a parte do ventrículo paralelamente ao cone arterial (infundíbulo), que conduz o sangue ao tronco pulmonar não tendo trabéculas (parte lisa). Essas duas câmaras são divididas pela crista supraventricular. Por causa deste caminho, o sangue faz um caminho em forma de “u” (óstio aferente (valva atrioventricular direito) -> câmara aferente -> câmara eferente (cone arterial) -> óstio eferente (valva pulmonar)). O ventrículo direito fica à frente do átrio direito, de modo que o óstio atrioventricular direito é aproximadamente vertical e o sangue circula em direção horizontal do átrio para o ventrículo. Comumente, o musculo papilar septal (músculo que se insere as cordas tendíneas da válvula septal da valva tricúspide) se forma no septo interventricular, tendo a face septal do ventrículo direito trabeculada.
Ventrículo esquerdo
A pressão sistêmica que o ventrículo esquerdo precisa vencer para que ocorra a ejeção sanguínea é muito maior a que o ventrículo direito precisa para a pequena circulação. Por causa desse maior trabalho realizado pelo ventrículo esquerdo, ele comumente tem mais que o dobro da espessura que o ventrículo direito (aumento do miocárdio e músculos papilares) por causa de sua hipertrofia muscular. A rede de trabéculas cárneas do ventrículo esquerdo é bem maior que no direito. Como no ventrículo direito, o ventrículo esquerdo situa-se à frente do átrio esquerdo, de modo que o plano do óstio atrioventricular esquerdo é quase vertical, assim o sangue flui do átrio para o ventrículo se dirigindo para frente e para a esquerda.

Valvas


O aparelho valvar consiste de: um anel fibroso (ânulo fibroso) em torno do óstio atrioventricular; da valva (constituída de várias válvulas ou cúspides - cada cúspide se insere no anel fibroso que constitui o óstio); as cordas tendíneas, que ligam as válvulas aos músculos papilares (como os tendões ligam o musculo ao osso) e os músculos papilares.

Valva Atrioventricular Direita ou Tricúspide


O musculo anterior é o mais constante, geralmente formado na parede ântero-lateral do ventrículo e de parte da trabécula septomarginal (Também chamada de fita moderadora ou banda moderadora, é uma trabécula do tipo ponte constituída de fibras de purkinje que une o septo interventricular ao musculo papilar anterior e também ajuda na propagação do impulso nervoso).
Quando ocorre sístole ventricular, a pressão ventricular aumenta, com isso as válvulas são empurradas em direção ao átrio. As cordas tendíneas ligadas às válvulas impedem a inversão das mesmas. Cada corda tendínea se liga a duas válvulas diferentes, o que reforça sua tração.

Valva Atrioventricular Esquerda ou Mitral


A valva mitral também possui pequenas válvulas comissurais entre as suas duas válvulas, porém por serem muito pequenas não exercem tanto impacto na fisiologia cardíaca. Cada válvula recebe cordas tendíneas de mais de um músculo papilar, criando uma maior força de abertura da válvula quando preciso.

Valvas Semilunares


As valvas semilunares (aórtica e pulmonar) possuem três válvulas cada, que formam uma tela fibrosa avascular. Quando vistas de cima tem formato côncavo com suas válvulas em formato de meia lua, daí o nome. Diferentemente das outras valvas cardíacas, as valvas semilunares apresentam um sistema em forma de “bolsa”. A medida que recebem sangue em sentido anti-horário as bolsas se enchem e as valvas se fecham, impedindo o refluxo sanguíneo. Daí surgem os seios. Existe o seio pulmonar e o seio aórtico, ambos com seus respectivos vasos. Logo após as valvas, os vasos sofrem uma leve dilatação onde uma quantidade de sangue se mantém acumulada a cada sístole. O sangue do seio pulmonar impede que as valvas se aderem à parede do vaso e os mantêm fechados. O seio da aorta, especificamente, é dividido em três partes. O seio da aorta direito (no qual contém o óstio da artéria coronária direita), esquerdo (que contém o óstio da artéria coronária esquerda) e o posterior.

As válvulas semilunares apresentam um nódulo, um espessamento central da tela fibrosa, em suas extremidades. Estendendo-se a cada nódulo existe uma espessa área em forma decrescente, denominada lúnula, que não apresenta tela fibrosa. Os seios estão nos espações entre as lúnulas. No caso do seio aórtico, as artérias coronárias tem seu suprimento sanguíneo quando o seio se enche, ou seja, somente após a ejeção, fechamento da valva aórtica e fluxo sanguíneo retrógrado para o seio. Deste modo, o enchimento das artérias coronárias só ocorre quando o miocárdio está relaxado.

Bibliografia


  • NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 5ed. Elsevier, 2011.
  • MOORE, Keith L.. Anatomia Orientada para Clínica. 6ed. Guanabara Koogan, 2011.
  • GARDNER. Anatomia. 4ed. Guanabara Koogan, 1980.
  • © Imagens, all rights. NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 5ed. Elsevier, 2011.

Comentários


 Josiane

material muito bom, parabéns gostei muito mesmo.

 Pina

Achei bastante interessante, muito bem detalhado para explicação em nossas aulas. Obrigado.

 Eduardo

Parabéns!!! esclareceu muuuuitas coisaaas que vários livros não esclarecem!!! muito bom!

 Pri

oi Nicolau, parabéns pelo site muito legal!!! desejo muita sabedoria ae nos estudos. Até mais!!

 Vanessa

Gostaria de agradecer pelo site por ter me ajudado e muito a entender melhor sobre a matéria e me ajudara até o fim do meu curso.Pesquisei em muitos sites e na maioria contém muita informação errada.Tenho o atlas de Netter que é um dos lugares de referência do site.Muito obrigada e parabéns pelo seu trabalho.

 Franciane

Boa tarde o endocardio, miocardio e pericardio são os tecidos do coração?

 Leticia

Parabéns pelo material!

 Isabela

Parabéns!!!????????????

 Dalva

rica matéria, parabéns.

 Mithaly

Muito bom o seu material. Parabéns pela qualidade!!!

 Acácio

Material muito bom! Precisamos de mais sites assim.

 Nagila

Lucas, qual é a fonte da imagem da divisão das camadas?

 Mary

Material muito bem desenvolvido, parabéns!!! Me ajudou muito!!! Obrigado

 Marinez

Está me ajudando muito , material perfeito, amei.

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