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Ciclo e Reflexo da Micção

Publicado em 29/03/2015
Autor Lucas Nicolau de Oliveira
Revisor Elvys dos Santos Pereira

A micção é a emissão da urina seguida por esvaziamento da bexiga. Pode-se considerar a existência de um ciclo de micção dividido em duas etapas que ocorrem todo o tempo, levando a axcreção da urina. Na primeira etapa do ciclo, ocorre o enchimento progressivo da bexiga. No segundo passo, inicia-se o reflexo da micção, que esvazia a bexiga. Para um melhor entendimento, vamos para um resumo breve da anatomia da bexiga e sua inervação, já abordados no artigo sobre Anatomia do Trato Urinário.

Anatomia da Bexiga


A bexiga é constituída de ápice, fundo, corpo e colo. O corpo é onde a urina fica armazenada e o colo é a extensão afunilada do corpo que se conecta com a uretra e é por onde a urina vai ser excretada. O músculo liso vesical que envolve toda a bexiga é chamado de músculo detrusor. Este músculo tem suas células musculares lisas acopladas eletricamente e portanto o potencial de ação pode se propagar facilmente para todas as células musculares rapidamente promovendo uma contração vesical praticamente simultânea. Na parede posterior da bexiga está presente o trígono da bexiga. Nos ângulos superiores do trígono se encontram os ureteres e no ângulo inferior a uretra. No colo da bexiga está presente o esfíncter interno (músculo liso) e no diafragma urogenital, está presente o esfincter externo (músculo esquelético).

Inervação


A principal inervação da bexiga é feita pelo sistema nervoso autônomo parassimpático através dos nervos esplâncnicos pélvicos provenientes do plexo sacral da medula que se conectam aos segmentos S2, S3 e em menor proporção com o S4. As fibras dos nervos esplâncnicos pélvicos possuem neurônios aferentes e neurônios pré-ganglionares que se dirigem ao plexo pelvico (hipogástrico inferior) na parede da vesícula e estimulam neurônios pós-ganglionares muito curtos que inervam o músculo detrusor e o músculo esfincter interno da uretra. Alguns neurônios passam direto pelo plexo pélvico e fazem sinapse no plexo vesical que está ainda mais próximo da bexiga. Os nervos esplâncnicos pélvicos podem perceber o estiramento vesical (fibras aferentes) e promover a contração vesical (fibras eferentes). O nervo pudendo que contém fibras aferentes e eferentes somáticas inervam e controlam o esfíncter externo. A inervação simpática ocorre através dos nervos hipogástricos conectados com o seguimento L2 medular e em menor parte com os segmentos de T10 a L1. Os nervos hipogástricos promovem a vasodilatação vesical e como também possuem fibras aferentes, ao chegar a medula, ligam-se a vias ascendentes que terminam no córtex cerebral manifestando a sensação de plenitude e as vezes dor.
Nervo Fibras Ação
Nervo Hipogástrico Sistema Nervoso Simpático (Fibras Eferentes) Vasodilatação local
 Peristaltismo no ureter
Fibras Aferentes Viscerais Sensação de plenitude
Dor
Nervos Esplâncnicos Pelvicos Sistema Nervoso Parassimpático (Fibras Eferentes) Contração do músculo detrusor da bexiga (Gerando contração vesical)
Relaxamento do esfincter interno da uretra
 Peristaltismo no ureter
Fibras Aferentes Viscerais Percepção do estiramento vesical (Por receptores de estiramento)
Nervo Pudendo Fibras Eferentes Somáticas Relaxamento do esfincter externo da uretra
Fibras Aferentes Somáticas Manutenção do tônus do esfincter externo da uretra

Ciclo da Micção

Enchimento Vesical (Primeira fase)
A urina formada nos ductos coletores renais não se modifica no seu trajeto dos rins até a bexiga. Assim que a urina é formada no ducto coletor ela cai nos cálices renais, pelve renal e chega até o ureter que se distende e aumenta sua atividade marca-passo, desencadenado ondas peristalticas em direção a bexiga. As ondas peristálticas aumentam a pressão interna do ureter em sua porção pélvica de modo que o óstio do ureter presente na bexiga se abra. Após entrar em contato com a bexiga, o ureter ainda caminha alguns centímetros na parede da vesícula e neste caminho é comprimido pelo tônus muscular normal do músculo detrusor evitando um fluxo retrógrado de urina na direção renal. Quando ocorre a contração da vesicula, ela perde seu tônus normal e sua pressão intravesical aumenta, mesmo assim não há fluxo retrógrado pois os óstios dos ureteres são comprimidos durante a contração. Os músculos liso dos ureteres também tem sua inervação por fibras simpáticas e parassimpáticas, portanto, a velocidade do peristaltismo pode ser alterada já que o simpático tem ação inibitória no músculo liso e o parassimpático excitatória. O simpático libera noraepinefrina que atua em receptores β2 que diminuem a concentração plasmática de cálcio. O parassimpático libera acetilcolina que por atuar em receptores M3 promove o aumento da concentração plasmática de calcio, favorecendo a contração muscular.

Reflexo Ureterorrenal

Os ureteres possuem uma grande quantidade de nociceptores que podem ser estimulados quando ocorre uma obstrução em algum dos seus segmentos. Estes receptores provocam uma dor muito intensa e um reflexo simpático chamado de reflexo ureterorrenal que leva a constrição das arteríolas renais diminuindo a taxa de filtração glomerulas (TFG). Com a redução da TFG, o volume de urina produzido também diminui evitando o acúmulo excessivo de líquido na pelve renal já que o ureter está obstruido.
Esvaziamento Vesical (Segunda Fase)

Reflexo da Micção


Quando a bexiga se enche a pressão intravesical aumenta proporcionalmente, ocasionando o estiramento de toda parede vesical. Receptores de estiramento são então ativados e mandam impulsos nervosos através da parte aferente dos nervos pélvicos (parassimpático) até a medula sacral. Por arco reflexo o sinal retorna à bexiga pela parte eferente dos próprios nervos pélvicos gerando contrações de micção (contração do músculo detrusor). Quando a bexiga está parcialmente cheia, as contrações ocorrem, porém o músculo detrusor posteriormente sofre relaxamento, diminuindo a pressão e cessando as contrações. Este mecanismo serve como aviso de que em breve será necessário o ato de micção e impede um armazenamento exagerado de urina na bexiga. Conforme a bexiga se enche, as contrações ficam mais frequentes e intensas. O reflexo da micção tem padrão autorregenerativo pois uma vez que ocorrem as contrações de micção, a pressão intravesical aumenta ainda mais, o que leva ao desparo de um novo reflexo, principalmente proveniente do colo da bexiga urinária que é rico em mecanorreceptores. Este ciclo se repete até que a bexiga tenha alcançado alto grau de contração e então começa a entrar em fadiga, o ciclo se rompe e o músculo detrusor relaxa. Mesmo que com o reflexo da micção não ocorra o total esvaziamento da bexiga, ele pode se manter ausente por até uma hora para que depois ocorra novos reflexos. Quando as contrações de micção estão suficientemente fortes para esvaziar a bexiga, o reflexo da micção produz um reflexo secundário através da porção eferente do nervo pudendo para relaxar o esfincter externo da uretra. Se este reflexo secundário for mais forte que a inibição voluntária do esfincter externo, ocorre a micção. Caso não seja, o indivíduo consegue manter o esfincter contraído e assim controlar a micção.

Modulação do reflexo de micção

O encéfalo pode modular o reflexo de micção através de núcleos presentes no tronco encefálico, principalmente na ponte e no córtex cerebral. Estes núcleos podem facilitar, dificultar ou até induzir o reflexo da micção. Na micção voluntária o individuo contrai a parede abdominal aumentando a pressão intraabdominal, comprimindo a bexiga e aumentando sua pressão intravesical. Desta forma se inicia o reflexo da micção que também inibe o esfíncter externo da uretra. De forma geral, a ação do encéfalo atua de quatro formas diferentes:

Bibliografia


  • NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 5ed. Elsevier, 2011.
  • Guyton, A.C.; Hall, J.E.. Tratado de Fisiologia Médica. 12ed. Elsevier, 2011.
  • MACHADO, Angelo; HAERTEL,L.M.. Neuroanatomia Funcional. 3ed. Atheneu, 2014.
  • © Imagens, all rights. NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 5ed. Elsevier, 2011.
  • © Imagens modificadas de. NETTER, Frank H.. Atlas de Anatomia Humana. 5ed. Elsevier, 2011.

Comentários


 Flavia

Ótimo esquema e explicação!!

 Thaiane

Conteúdo rico, as tabelas e figuras ajudam muito no entendimento! Parabéns!

 Emanuely

como ocorre o controle de miccao

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